sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Oficina de Preparação para o Parto

Programação:

Público Alvo: Gestantes com 14 semanas ou mais de gestação e acompanhantes.
Carga horária: 2 horas.
Horário: 9 às 11 horas.
Datas: 28/11/2009 e 19/12/2009

Investimento: R$50,00 (acompanhante não paga).
Inscrições Antecipadas: enviar e-mail para michele@psico.net, por telefone 3307 6953 ou pessoalmente no IPC

Dúvidas sobre a oficina: entrar em contato com Emanuelle, pelo e-mail ecp@psico.net

Objetivo: preparar as gestantes para um parto ativo e seus acompanhantes para ajudá-las durante o trabalho de parto.

Conteúdo Programático:
1. Como contar as contrações.
2. Como saber a hora de ir para a maternidade.
3. A respiração durante o trabalho de parto e durante as contrações.
4. Posições para facilitar o trabalho de parto.
5. Massagens que o(a) acompanhante pode fazer.

Facilitadoras:

Vânia C. R. Bezerra (CRP 06/51759). Formada pela Universidade Federal de Uberlândia em 1996, com Aprimoramento Profissional em Psicologia Clínica Hospitalar pela PUC Campinas em 1998. Educadora Perinatal (cursos para gestantes) formada pela Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2004. Curso de Extensão em Preparação Psicológica e Física para a Gestação, Parto, Puerpério e Aleitamento pela Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP em 2006. Oferece cursos para gestantes, acompanhando partos como doula desde 2004.

Ana Frederica C. Locilento (CRP 06/87138). Formada pela UNESP Assis em 2005, com Formação de doula pela Associação Nacional de Doulas, e Aprimoramento em Psicologia da Gestante pelo Grupo de Apoio à Maternidade Ativa em 2009.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

GRUPO DE APOIO AO PARTO NATURAL

Objetivo: trocar experiências e tirar dúvidas sobre
a melhor forma de trazer um filho para o lado de cá da barriga!
GRATUITO
Moderadoras: Ana Frederica e Vânia (doulas),
Carla Polido (obstetra) e Jamile Bussadori (Enfermeira Parteira)

Reuniões Quinzenais às terças-feiras, 19h30 no

CEO - Rua 9 de julho, 1615 - Centro São Carlos/SP
Próximas datas: 10/11 - 24/11 e 08/12/2009.
Informações: (16) 3372-0254
"Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer". (Odent, 2002)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Luciana, Mauro e Matheus - 25/01/2009


Luciana me ligou às duas da manhã dizendo que as contrações já estavam ficando fortes, embora ainda com um intervalo grande (de 10 a 15 minutos). Conversamos um pouco sobre pr´s e contras de irem me buscar. Sair de casa, andar de carro, voltar comigo prá casa poderia fazer as contrações darem uma parada. Mas se o desconforto já era significativo eu poderia ajudar. Depois de uns quinze minutos ela ligou novamente. Tinha decidido que queria companhia e ajuda. Estavam vindo me buscar.


Tomei um banho rápido, tomei café, arrumei meus apetrechos, liguei a televisão, fiquei vendo filminhos da madrugada. (Em tempo: eu estava sem carro, e eles moram em um bairro afastado do centro, assim como eu. Do meu bairro para o deles só tem ônibus de duas em duas horas, começando correr às sete da manhã. Se eu pegar um que vá para o centro e outro que vá para o bairro, demora duas horas prá chegar, então não vale a pena...).


Chegaram às 5 da manhã. Mas o dia ainda estava longe de clarear por ser horário de verão. Sentei-me no banco de trás, atrás da Luciana, e fiz massagens nos ombros algumas vezes durante o percurso de volta prá casa deles. Paramos três vezes para esperar a contração passar.


Chegamos à casa. Eles tem dois cachorros: um pit bull e um rotweiller velhinho, mas que poderia me estranhar... Tiveram que fazer um jogo de logística prá eu poder entrar, e por fim o pit bull ficou preso na sala e o rotweiller na garagem, depois de todo o jogo de "prende aqui enquanto ela passa por ali...". Rrsrsrs... eu heim... melhor doula inteira do que faltando pedaço...


Aí fomos para o quarto, eu e Luciana, enquanto Mauro foi prá sala, dormir junto com o pit bull. (Me dei bem! hehehe...)


Luciana quis tentar descansar um pouco, mas não se sentia bem deitada de lado. Preferiu ficar meio sentada na cama, apoiada em traveseiros, e nem chagava a se levantar quando vinham as contrações, de modo que fiquei ali respirando junto com ela, ajudando a relaxar os ombros, contando as contrações, cobrindo e descobrindo, colocando cobertores dobrados sob os pés prá ajudar a relaxar as pernas. Acho que ficamos assim até o meio da manhã, quando demos umas voltinhas pelo corredor. A vontade era de caminhar na rua, mas estava chovendo forte.


Luciana tomou um banho quente, enquanto fiz um chá. Procurei café prá fazer e descobri que eles não tem o hábito de tomar café em casa, e sim na clínica. Azar meu... rsrsrs.


Depois do banho, ficamos um pouco no quarto, o Mauro apareceu, deu uma olhadinha... eram mais ou menos onze da manhã. A Lu ficou um pouco sentada na bola, de costas prá mim. Fiz massagens e coloquei a bola de água quente. A chuva deu uma trégua, mas continuou bem nublado. Decidimos dar uma volta. Ela se agasalhou, eu também, pegamos sombrinha, e saímos a dar uma volta na chuva fina, que dava uns intervalos... Demos uma volta de 3 quarteirões, parando e nos abraçando durante as contrações. Essa posição de abraçar e massagear as costas quase sempre traz conforto, e Luciana se sentia bem assim.


Voltamos prá casa. O pai dela ligou. Desejou boa sorte. A mãe também.


Falei pro Mauro que estávamos com fome. Ele achou duas maçãs na geladeira, picou e levou prá ela. Ela comeu uma e eu comi a outra. (Uma e meia da tarde).


Aí ele lembrou que tinha que ir atender no consultório. Ficamos um tempo num impasse: vai com o carro, e volta, ou vamos todos... Luciana tinha hora marcada na obstetra às 16h00. Ligou prá ela, disse que as contrações ainda estavam de cinco em cinco minutos. Ela disse prá irmos pro consultório que ela seria atendida mais cedo. Assim, ficou decidido: vamos todos. Deixamos ele no consultório e fomos para a consulta da Luciana. Subimos escadas, e na sala de espera tinha um casal que fazia umas caras de curiosidade/susto quando vinhamas contrações. Quando passava a secretária falava: "a próxima é você viu Luciana?". Achei que era bom sinal, de secretária que não assusta com parturiente na sala de espera...


Entramos, a Lu foi eaminada, estava com 6cm de dilatação. Batimentos Cardíacos Fetais OK. A médica a parabenizou, dizendo que estava sendo forte e corajosa. Fez a carta de internação e recomendou que ela fosse para a maternidade.


Saímos de lá. Graças a Deus a Luciana é do tipo que contrata doula e confia nela. Seis cm, contrações de 5 em 5 minutos, é cedo prá internar. Vamos comer alguma coisa? Ela queria tomar suco de laranja. Fomos a uma lanchonete perto do Centro Médico, ela tomou seu suco. Mas não tinha nada gostoso prá comer... Fomos a outra lanchonete - Pão de Queijo Mineiro - na Praça da Quinze. Comi um pão de queijo e tomei um café, abençoado café, às quatro e meia da tarde. Quando estávamos voltando para o carro, antes de atravessar a rua, num lugar muito movimentado, Luciana teve uma contração e se apoiou naquele postinho que tem as plaquinhas com os nomes das ruas. Eu tive impressão que as pessoas diminuiam a velocidade dos carros pra ver o que estava acontecendo, e eu lá, fazendo minha cara profissional de paisagem...


Fomos buscar o Mauro. Ele estava fazendo um download de sei lá o que, e ficamos esperando terminar. Enquanto isso a Lu vomitou o suco. Normal. Tinha uma senhora lá contando que a avó dela foi parteira, e que quando ela foi ter neném sentiu que a avó a acompanhava. Eu achei lindo.


Depois de fechar a clínica, fomos prá maternidade. Chegamos 18h30. E para a minha completa surpresa... "A maternidade está lotada. Vamos ter que remanejar pacientes do SUS prá liberar um quarto prá senhora. Pode aguardar sentada ali". Fomos pro cantinho. Falei prá eles: "vcs não querem ir prá outra maternidade? Lá o horário de visitas é mais flexível pq o movimento é menor, e vcs vão ter um atendimento melhor".


O Mauro foi lá falar com a recepcionista.

- "O atendimento não fica prejudicado por que está lotado?"


Pensei que ela fosse responder que fica... rsrsrs... mas ela disse que, quando isso acontece, quem está de folga é chamado prá reforçar o atendimento".


- "Mas ela vai ser internada em quarto de SUS?"

- "A diferença é só o tamanho do banheiro, O atendimento vai ter a mesma qualidade".


A recepcionista pegou o telefone sem fio e foi ligar prá médica. Voltou e disse: - "A Dra falou que a dilatação dessa parturiente já deve estar completa, que é prá internar imediatamente. A Sra vai ficar na sala de pré-parto do SUS enquanto estamos liberando um quarto. Pode entrar por ali..."


Entrei com a Lu enquanto o Mauro ficou fazendo a internação. A médica chegou em seguida, e começou a operação PC. Sabe o que é PC? Pacote Completo.


Coloca um sorinho.

Dilatação completa mas o bebe está muito aaaaaaaalto.

Traz a pinça prá eu romper a bolsa.


Luciana ainda tentou argumentar:

- Não pode esperar romper sózinha?


E a resposta foi:

- "Faz uma forçona bem grande durante a contração".


Rompeu a bolsa. Líquido limpo.


Sugeriu que ela fosse um pouco prá baixo do chuveiro. Mas uma vez embaixo do chuveiro, era prá ficar de cócoras durante a contração e fazer bastante força prá ajudar a descer.


O Mauro, além de esposo e pai, é treinador da Luciana.

- "Luciana, tudo é uma questão de consciência corporal. Foca nos músculos abdominais".


-"Dra, a sala está liberada"

- "Então podemos ir".


Mauro decidiu que entraria prá acompanhar o nascimento. Como eu tinha me comprometido a ficar a primeira noite com a Lu, pedi o carro esprestado prá ir prá casa tomar um banho e jantar. Fiz isso, coloquei meu filho prá dormir, e voltei prá maternidade.


Quando cheguei, Luciana já estava de volta no quarto. Entrei, ela olhou prá mim e disse:

- "Eu não quero ver a cara dessa médica nunca mais".

E o Mauro:

- "Sabe a história do médico e o monstro? Ela se transformou lá dentro!"


O porteiro/segurança pediu licença e falou que agora só a acompanhante poderia permanecer no quarto. E o Mauro respondeu:


- " Eu não vou sair daqui antes de ver meu filho".


A mãe da Lu despediu-se e foi embora. O segurança veio e disse que ia demorar um pouquinho por causa da lotação, que estavam sobrecarregados, mas logo o bebê viria. O Mauro reafirmou que só sairia depois que ele estivesse no quarto. O segurança saiu.


Contara tudo o que aconteceu. Poso resumir a falta de compromisso com a humanização na seguitne frase da obstetra: - "Luciana, deixa de ser rebelde. Agora é entre eu e o feto, e você vai fazer o que eu mandar".


E prá completar o parto PC teve epsiotomia monstro e kristeler violento (empurrão na barriga).


Infelizmente, escutei uma frase esses dias que se encaixa: não dá prá ir a uma lanchonete fast food e querer comer comida francesa... (prefiro italiana, mas entendi o ditado).


O bebê veio pro quarto. Gelado, e com um pé prá fora da roupa, que tinha sido abotoada errado. O Mauro, depois de uns minutos, foi convidado pelo segurança a sair. Foi embora.


Passada mais ou menos uma hora, fui falar com a enfermagem.

- " O bebê está gelado, e as maõs estão roxas..."

- "Pois é, vocês não queriam que viesse logo pro quarto! Então! Se não melhorar ele vai ter que voltar pro berço aquecido no berçário".


Fiz sinal de positivo. Voltei pro quarto, tirei aquele macacão fininho da maternidade, coloquei luvas e meias, uma roupinha mais quente, o macacão pro cima de tudo, coloquei-o sobre o peito da Luciana e dois cobertores por cima de tudo. (Aguenta ai Lu que vai esquentar um pouco). Os dois estava sonolentos, não se incomodaram. E o Matheus foi ficando coradinho, as mãos perderam o arroxeado. Conseguimos!


Passei a noite lá, mas passei mal a madrugada toda. Eles não sabiam, mas a essa altura já era minha terceira noite sem dormir. Quando os ônibus começaram a correr, a Lu estava acordada e amamentando. Morrendo de vergonha eu me despedi e fui embora, torcendo pra mãe dela chegar logo, prá não ficarem sozinhos muito tempo. Mas se eu ficasse ia acabar dando mais trabalho do que ajudando.


Espero que o mundo reserve ao Matheus uma vida mais tranquila do que foi a sua cena de nascimento, e que sua força para superar esses traumas estabeleça um vontade insuperável de contribuir para um mundo melhor.


Ao casal, minha eterna amizade.


Vânia.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Janayna, Gustavo e Rael

RELATO DE PARTO DA JANAYNA – NASCIMENTO DO GUSTAVO – 23/10/2008

Janayna estava muito ansiosa para entrar em trabalho de parto, manifestou algumas vezes que a espera estava sendo muito difícil. Jamile então sugeriu que ela fizesse algumas sessões de acupuntura, e começasse a tomar alguns preparados homeopáticos para induzir o início do TP.
Rael me ligou meia noite e vinte, contando que a bolsa de águas havia rompido, mas ainda não havia sinal de contrações. Respondi algumas perguntas, tudo parecia estar calmo, orientei que esperassem, não havia pressa. Voltei a dormir.
O dia amanheceu.
No meio da manhã liguei para saber notícias. Sempre fico com medo de ligar e acordar quem acabou de conseguir dormir... Estava tudo bem.
Um pouco mais tarde a Jamile ia até lá para verificar os batimentos cardíacos do bebê, a dinâmica uterina, deixar alguns apetrechos... fui junto e fiquei por lá, já que as contrações estavam começando ficar mais próximas, e Janayna já manifestava certo desconforto.
Na hora do almoço o Rael saiu para buscar marmitex no restaurante preferido do casal, com recomendação de trazer peixe – desejo manifestado pela Janayna (ou pelo Gustavo?), mas não tinha... A tarde foi passando... massagens, banhos, duas caminhadas em volta do quarteirão... eu, Jamile e Janayna. Rael trabalhava no seu computador.
Jantamos pizza.
As contrações vinham e iam, se aproximavam e afastavam... Por três vezes a Jamile colocou agulhas de acupuntura para regularizar as contrações, e Janayna suportava heróicamente a agulha perto do tornozelo, e outra no dedinho do pé... ficava ali sentadinha, esperando Gustavo... Homeopatias... As horas foram passando... e chegaram os 6cm de dilatação. Montamos a piscina, enchemos a piscina, mantivemos a temperatura da água quente... e quatro horas depois, no exame de toque, Jamile disse que a dilatação continuava a mesma.
Passava de duas da manhã, portanto já tínhamos mais de 24 horas de bolsa rota. Jamile disse que tínhamos chegado a um ponto em que ficar em casa poderia ser improdutivo. Parecia que o colo do útero tinha descido, sem aumentar a dilatação, o que poderia ser um sinal de desproporção. Estava tudo bem com a Janayna e com o Gustavo, mas estarem com mais de 24 horas de bolsa rota trazia um certo risco de infecção... então o casal decidiu ir para a maternidade.
Jamile ligou para a obstetra que estava de sobreaviso, fomos para a maternidade, e chegando lá Janayna foi encaminhada para a cesárea. A obstetra disse que poderiam tentar a indução, mas que indução mais anestesia raquidiana (a única disponível nesse caso), poderiam trazer alguns riscos, na opinião dela, maiores que os da cesárea. Então o casal aceitou a cesárea.
Enquanto isso, Rael teve que sair da maternidade e ir a outro endereço, onde pagaria pelo atendimento do plano de saúde que eles tinham adquirido quando ela já estava grávida, sob a promessa de que quando entrasse em trabalho de parto pagariam um tipo de multa/acerto por ainda não terem cumprido a carência. A surpresa foi que chegando lá o atendente disse que isso não era mais possível. Então o casal teve que pagar mais do que tinha sido planejado para ficar em um quarto de SUS, por que já tinham chamado a obstetra do plano, então tiveram que pagar por um parto particular.
Foi a primeira vez que vi um pai de família que está se formando, parado na porta do Centro Cirúrgico. É uma visão triste. Famílias, principalmente em formação, não deveriam ser separadas. (Palavra de Psicóloga Hospitalar, com formação voltada para a Psicologia da Gestação, Parto, Puerpério e Amamentação... mas pensem bem... precisa ter toda essa especialização para ter sensibilidade? O que pensar de quem tem formação mas acha que na maternidade está tudo certo e todos são muito bonzinhos?). Enfim...
Janayna chorou muito quando chegou ao quarto, porque achava que ficaria em um apartamento individual, onde o Rael poderia permanecer com ela, mas agora ia para um quarto coletivo, onde a acompanhante deve ser necessariamente do sexo feminino. Esse imprevisto trouxe ao casal muito mais sofrimento do que a frustração pelo parto ter se tornado cesárea. Porque foram separados mais uma vez!
Quando fui visitar o casal, já em casa, Janayna estava muito cansada, pela noite passada em trabalho de parto, pela noite anterior, em que, depois da bolsa romper ela já não tinha conseguido dormir bem... pelas duas noites na maternidade, com o entra e sai de enfermeiras que medem pressão, temperatura, trazem os remédios necessários, e os bebês que acordam cada um a seu tempo (graças a Deus essa maternidade não é do tipo que toca uma buzina para todos os bebês acordarem ao mesmo tempo). Ajudei-a a deitar-se de lado e amamentar o bebê na cama. Enquanto alguém fica olhando não tem problema. Janayna pode descansar um pouco.
Mas depois a família reclamou que eu tinha ficado com a mamãe e o bebê só prá mim... ficaram com ciúmes...

Voltei alguns dias depois e Janayna estava tendo um pouco de dificuldade com a amamentação. Gustavo era um carinha bem guloso e um tanto carente... não queria desgrudar da mãe. Todas as tentativas de colocá-lo no carrinho ou na cama resultavam em choro... Nessas horas o apoio à mãe é fundamental, até que o bebê comece a ter umas horinhas de sono e ela possa descansar. Foi o que tentei fazer.
Espero que a família esteja feliz, espero que o Gustavo (quarto escorpiniano que acompanhei na chegada a este lado), continue persistente nos seus objetivos e consiga tudo da vida, assim como nos primeiros dias conseguia sua mãe só para ele. Ao casal, agradeço a honra de ter sido chamada para o dia em que deixaram de ser um casal e tornaram-se uma família.
Abraços carinhosos,
Vânia C. R. Bezerra

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Marcela, Marcelo e Sofia - 21/09/2008

Marcela me procurou quando estava mais ou menos com 6 meses de gestação. Disse que tinha conseguido meu nome com a Ana Cris, que já tinha lido alguma coisa sobre parto natural e queria o mínimo possível de intervenções.



Fui à casa dela e começamos nossos encontros: eu, ela e o marido - Marcelo, em busca do parto natural. Assistimos muitos filmes, trocamos informações, e o casal foi percebendo que o tipo de parto que queriam seria difícil de ter em um hospital. Começaram também os encontros com a enfermeira obstetra - que gosta de ser chamada de parteira, graças a Deus - e começaram a construir o caminho em direção ao parto domiciliar. Como o tempo aí já era curto, o processo foi um pouco sofrido, mais ou menos como acontece quando um parto é muito rápido, sabe? Para dilatar tudo em pouco tempo as contrações precisam ser bem mais fortes...



No final da gestação ainda fizeram uma tentativa de ter dentro do hospital um parto natural, com um tipo de obstetra de vidro por perto. (Obstetra de Vidro é o título de um livro do obstetra gaúcho Ricardo Jones, e o termo significa, simplificando, que ele fica invisível ou reflete a imagem de quem o olha, e só entra em cena, ou seja, só se torna visível se houver necessidade de intervenção). Infelizmente a tentativa de ter um obstetra de vidro por perto acabou em mais um episódio de stress e frustração, mas também teve seu lado bom, já que reforçou a opção do casal de parto domiciliar.

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Marcela estava tendo contrações desde quinta-feira - espaçadas, mas fortes o suficiente para promover o esvaecimento do colo do útero - sem dilatação. De qq forma a recomendação da Jamile foi para a Marcela ficar mais quietinha, não fazer caminhada nem ir nadar, já que o Marcelo estava viajando e seria melhor se desse tempo dele chegar.



Ok, ele chegou.



Sábado de manhã Marcela me ligou. Gostaria de poder explicar como é conversar com a Marcela por telefone. A voz dela é doce, é calma, é quase um mantra... Exprime com exatidão o modo como ela encara a vida. Então... ela disse que estava com contrações já com algum rítmo, e se aproximando. Eu disse que iria prá lá e ela respondeu: - "Não, não, ainda não... estou avisando só para você saber que será hoje, mas agora eu vou sair prá fazer umas comprinhas, ajeitar umas coisas... depois, quando for a hora eu te ligo... eu estou tão feliz que ela vai nascer num dia tão bonito, temperatura amena, ensolarado... "


Ai que delícia!

No meio da tarde o tempo começou a virar... liguei prá minha irmã, pedi prá deixar o carro comigo porque existi a possibilidade de ter que ir de madrugada, e chovendo... não dá prá ir de moto. Ela trouxe o carro, e ele passou a noite tranquilamente na garagem. Devolvi no domingo pela manhã.


No meio da manhã liguei prá Marcela, ela disse que a Jamile tinha ido lá no dia anterior verificar a dinâmica uterina e os batimentos cardíacos da Sofia, que estava tudo bem...

- "Vânia, esta bebezinha está brincando de deixar todo mundo esperando" rsrsrsr"


Liguei prá Jamile, pedi prá ir junto quando ela fosse novamente fazer os exames, e mais ou menos as 11h00 ela foi me buscar. Chegando lá, feitos os exames, tudo normal, pedi permissão prá ficar um pouquinho. Marcela concordou. Almoçamos uma sopa deliciosa, e já durante o almoço as contrações começaram a ficar mais fortes e próximas. Marcela tinha que se levantar da mesa e eu comecei a fazer as massagens nas costas. A contração passava e nos sentávamos e continuávamos a comer. Também teve chá de canela, eu e Marcelo acompanhando.


Marcela quis ir se deitar um pouco, mas já não achou posição para ficar deitada, tinha que se levantar durante as contrações. Começamos a preparar o cenário. Marcelo inflou a banheira de parto que a Jamile já tinha deixado lá, enquanro a Marcela se ajeitou sentada na bola e se reclinando sobre travesseiros colocados na beirada da cama. Eu levei a bolsa de água quente, e durante as contrações ela "descia" da bola e ficava de cócoras.


Jamile e Camila chegaram mais ou menos as três da tarde. A banheira já estava enchendo, eu fazendo as massagens, e tudo muito muito calmo. Exames tranquilizadores, sempre.


Quando a banheira ficou cheia Marcela foi prá água, e ligamos também um aquecedor no quarto. O dia todo ficou nublado e no final da tarde fazia um friozinho. Marcela pediu água muitas vezes, mas também tomou suco, e alguma coisa com açaí e mel, não me lembro mais... Marcelo trazia o que ela pedia, fazia carinho, incentivava, enfim... um casal lindo de ser ver.


No final da tarde o resultado do exame de toque foi um pouco frustante para a Marcela, que esperava que já estivesse mais diltado, em parte também porque eu cometi um pequeno erro de avaliação e falei demais... mas a Marcela, com sua força e sua doçura superou isso também. Jamile sugeriu que ela fosse um pouco para ao chuveiro, e quando ela saiu da banheira a Camila disse ter sentido cheiro de líquido amniótico. A bolsa tinha rompido.


Em baixo do chuveiro, sentada na banqueta de parto, Marcela teve uma ligeira queda de pressão, e se esforçou para se alimentar. Comeu um pouco do sanduíche azeitonado oferecido pelo marido, mas depois de algumas mordidas abriu o sanduíche o comeu só as azeitonas. Enquanto isso o aquecedor do quarto foi desligado porque o quarto muito quente favoreceria a queda de pressão, e logo ela quis voltar para a banheira.


Começou a se agitar um pouco durante as contrações. E chegou a dizer que não aguentaria se piorasse... Todo mundo em volta incentivando: agora falta pouco.

Eu, Camila, Jamile e Marcelo carregando água quente para manter a temperatura certa. Luz apagada, só a do corredor acesa, quarto na penumbra. Música tocando no laptop lá no outro quarto.

Uma ou duas vezes ela pediu: tira essa música que eu não gosto muito... põe aquela do homem de bem.

Um pouquinho mais agitada, Marcela se afastou na banheira, encostou lá na parede. Jamile colocou as luvas longas. Com uma lanterna eu e Camila nos revezávamos iluminando a cena. E eu filmando com a máquina deles. Marcela começou a chamar: "Vem bebezinha, vem!"

Veio a cabecinha. Todos em silêncio. O tempo certo para a rotação e a próxima contração. Dois pequenos gritos de guerreira. Pareciam gritos de suspresa. E Sofia foi recepcionada nos braços da Marcela, com exclamações de reconhecimento: - "oi bebê!".

Dessa vez eu chorei. Um chorinho gostoso. Inesquecível.

Marcela saiu da banheira com Sofia nos braços, amparada pelo Marcelo. Foram prá cama. No corredor, eu, Jamile e Camila nos abraçamos.

Os telefones começaram a tocar. Domingo a noit é dia de família ligar né? Mais ainda quando sentem que tem alguma coisa acontecendo! Rsrsrs

Jamile examinou e tinha uma pequena laceração. Decidiram não dar pontos. Colocaram gelo, e pouco tempo depois tiveram certeza de que tinha sido suficiente.

Sofia mamando, laceração cuidada, tudo em paz. Marcelo abriu um vinho, e erguemos um brinde à paz. Aos nascimentos em paz, felizes.

Marcelo serviu um lanche, Marcela tomou uma sopinha. E todo mundo ligando prá casa, comunicando o nascimento. Depois limpamos a casa. Quando a gente sai parece que nada demais aconteceu. Mas essa família acabava de entrar para o círculo dos nascidos em paz.

Marcela, guerreira da paz, parabéns pela força.
Marcelo, parabéns pela calma e pelo companheirismo.
Sofia, parabéns pela linda família da qual agora você faz parte.

Beijos a todos, e obrigada pela honra de fazer parte desta história.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Thaís, Daniel e Caio - 07/04/2008


Meu marido e filho viajaram sem mim. Uma semana antes da data da viagem comecei a pensar o que faria caso a Thaís entrasse em tabalho de parto (TP) de madrugada e eu estivesse a 200Km de distância... de tanto pensar e não conseguir decidir acabei com uma baita crise de alergia que me deixou de cama. Resolvi não ir.

Eles viajaram no sábado pela manhã. Dormi a tarde inteira. Passei o domingo planejando uma palestra que daria para gestantes dali a 10 dias, voltei para casa e dormi super cedo. 10 prá uma da manhã o telefone tocou. (Todas as doulagens começam com o telefone tocando:)

Falando bem baixinho:- "Vânia? Oi, é a Thaís. Minha bolsa acabou de romper, saiu muito líquido... na verdade eu tô ligando mais para te avisar e ver o que a gente faz... as contrações ainda estão bem leves, de 7 em 7 minutos mais ou menos. Não sei se já seria o caso de você vir prá cá..."
- Quanto duram as contrações?
-"Acho que uns 4 minutos..."
- Não pode ser.
- "Ãh?" (ops... contrações durando 4 minutos seria muito perigoso, mas neste caso ela não estaria tão tranqüila, estaria com muita dor, portanto me tranqüilizei também.)
- Estou indo. Daqui a pouquinho eu chego. É hora de trabalhar!

Tomei um banho rápido, peguei a bolsa de água quente, meus CDs, a bolinha de massagem... e fui de moto. Fazia mais de um ano que eu não pilotava uma moto, mas fui bem. Era madrugada, nem tinha movimento nas ruas. Acho que só cruzei com dois carros durante todo o trajeto. Quando cheguei fiquei atrapalhada e não conseguia travar a direção. Mas por fim consegui.

O Daniel veio me receber e encontrei a Thaís na cozinha. As contrações ainda estavam tranqüilas, saiu um pouco de líquido amniótico, bem límpido e com cheiro característico. Tudo tranqüilizador. Mas as contrações já duravam mais de 40 segundos e com intervalos de 2,5 a 3 minutos... 3 contrações em menos de 10 minutos. Sem dúvida é hora de chamar a Jamile.

- Você está sentindo ele mexer?- "Não muito... não me lembro..."
- Me avisa quando sentir ele mexer tá?

Em pouco tempo Thaís disse que sem dúvida tinha sentido o bebê se mexer e com força. E daí a pouco outra vez... indicando estar tudo bem.

Comecei a ligar para a Jamile e nada dela atender: nem o fixo, nem o celular... nem o fixo, nem o celular... as contrações ficando mais fortes e mais próximas.

Thaís aceitou um chá com bolachas oferecido pelo Daniel, que também já tinha participado da limpeza do líquido amniótico. Não dava tempo nem dela acabar de comer a bolacha e lá vinha outra contração. Thaís se sentia mais confortável abraçando alguém pelo pescoço e deixando a barriga ir para a frente, movimentando o quadril de um lado para o outro... eu e Daniel nos revezávamos nesta função, e eu comecei também a testar as possibilidades de massagem nas costas, e nos ombros (entre as contrações).

E continuava ligando para a Jamile: nem o fixo, nem o celular, nem o fixo, nem o celular...

Thaís: - "Eu tô achando que está acontecendo muito rápido"...

Nem o fixo nem o celular... preciso encontrá-la. Lista telefônica. Telefones das das maternidades. E a parte complicada: falar manso suficiente para transmitir segurança ao casal, e com urgência suficiente para que as telefonistas das maternidades aceitassem me ajudar:

- "Eu preciso de um favor... eu preciso falar com a Jamile e com o esposo dela, o Dr. José Augusto. Eu estou com uma mulher em trabalho de parto e combinamos com eles que ligaríamos antes de ir para a maternidade, mas eu não estou conseguindo falar na casa deles. O celular da Jamile também não está atendendo. Eu precisaria ligar no celular do Dr. José Augusto... eu vou falar os números da casa deles e do celular da Jamile prá vc ver que eu não estou mentindo... olha, os números são esses...".

Claro que nenhuma das duas me passou o número do celular do Dr. José Augusto, mas ambas anotaram o meu nome e o da Thaís e disseram que tentariam encontrá-los. Confiamos nisso e pouco tempo depois o telefone tocou. O Daniel até falou: -"Telefone tocando a esta hora, só pode ser ela..."

Fui atender e expliquei o intervalo e a duração das contrações, ela disse que já estava vindo.Voltei para junto da Thaís, continuamos testando as posições mais confortáveis: cócoras sustentada, sentada sobre os joelhos entre mim e o Daniel, mas a mais confortável continuava sendo pendurada no pescoço e recebendo massagem no quadril. Essa parte era muito tranqüila também, porque a Thaís sempre dizia o que queria e como se sentia melhor.

Ela voltou a afirmar que estava achando tudo muito rápido: - "Eu me preparei para um Trabalho de Parto mais longo, mas do jeito que está indo acho que antes do meio-dia já terá nascido! (Ela calculou 12 horas de TP, o que seria bastante razoável para o primeiro parto). O que você acha Vânia?"

- Eu acho que antes de amanhecer o dia já vai ter neném nesta casa.Os dois ficaram me olhando meio estáticos, com os olhos ligeiramente arregalados. Foram poucos segundos, mas longos o bastante pra quem está próximo de se tornar pai e mãe pela primeira vez. Foi muito lindo!

Logo veio mais uma contração, para nos trazer de volta ao trabalho, e depois outra... Thaís perguntou se podia ir para o chuveiro. Sim. Então nos mudamos para o banheiro: bola, aparelho de som portátil, o cd com músicas sobre o tema da água, que já estava tocando na sala e embalou quase todo o TP. Logo o Daniel entrou junto no box, Thaís continuava se apoiando nele durante as contrações, e nos intervalos tentava sentar-se um pouco na bola, mas também não se sentia confortável assim. Era uma tentativa de descansar os pés e as pernas, mas duravam poucos segundos.

Jamile chegou. Fui abrir a porta e ajudei a colocar as coisas para dentro. Enquanto fazíamos isso ela explicou que o telefone do quarto havia sido desligado acidentalmente. Provavelmente alguém tropeçou na tomada. Aí o outro telefone tocava lá na sala, e com a porta do corredor fechada o som ficou muito baixo, por isso demoraram a acordar. Quanto ao celular... estava desaparecido.

Fomos encontrar a Thaís. Todos os quatro no banheiro. Jamile auscutou os batimentos cardíacos do neném, e estava tudo bem. Thaís sentou-se na banqueta de parto trazida pela Jamile, mas sentiu um desconforto muito grande no exame de toque, de modo que a Jamile parou, mesmo sem ter chegado a uma conclusão. Ela disse que: ou a dilatação estava em 8 cm ou estava total com um rebordo (faltando apenas uma parte do círculo atingir a dilatação completa). Nos dois casos a conclusão seria próxima: faltava muito pouco. Então era preciso preparar a recepção do bebê.

Jamile trouxe uma mesinha para o banheiro, onde abriu o Kit de parto: luvas, gases, pinças, etc... Depois perguntou sobre a roupinha do bebê, e descobrimos que não tinha nenhuma troca de roupa seca. Enquanto eu fiquei no banheiro, fazendo massagem durante as contrações, agora com óleo de banho, incentivando e tirando dúvidas, Jamile pegou uma roupinha e foi secar com o ferro de passar roupas. Thaís queixou-se de fome, e nos intervalos das contrações comeu uma banana. Quando eu achei que o parto estava muito próximo, troquei de posto com a Jamile e fui terminar de secar a roupinha.

Poucos minutos se passaram e a Jamile me chamou, dizendo que o bebê já estava bem baixo. Fui para lá, e Thaís disse que estava com sede e sentindo um pouco de fraqueza. Antes disso eu já tinha levado um suco de uva, de caixinha que tinha na geladeira, mas desta vez peguei umas laranjas e fiz um suco com uma boa colheirada de açúcar. Enquanto eu estava na cozinha espremendo as laranjas, e esperando a água esquentar a bolsa térmica que ela tinha pedido, Thaís dava uns gritos longos durante as contrações, e os cachorros da vizinhança começaram a uivar em resposta! Eu achei o máximo... Entrei no banheiro com o suco e a bolsa térmica, e perguntei se tinham escutado os cachorros. Estavam todos rindo, imaginando se os vizinhos chamariam a polícia...

Thaís tomou o suco. E disse que era o melhor suco de laranja que já tinha tomado... Daniel colocava a bolsa de água quente durante as contrações e ela disse que melhorava um pouco. Logo aquela dor localizada diminuiu e a Jamile disse que era porque o bebê já estava bem mais baixo.

Mesmo sem termos combinado nada, peguei a máquina digital que estava por ali e com a qual já tínhamos tirado algumas fotos, e comecei a filmar. Então a cabecinha saiu, e com mais uma contração veio o corpinho. Com muita tranquilidade ele foi colocado nos braços da mãe. Jamile olhou a hora, ele já chorava forte e logo se acalmou. Ficamos um pouco por ali, mas a Thaís se queixou de desconforto por estar sentada no banquinho de parto, então resolvemos ir para o quarto. Embrulhada em toalhas, andando devagar e com seu filho nos braços, Thaís foi para o seu quarto e deitou-se na sua cama, que tinha sido forrada com um lençol absorvente trazido por Jamile. Neste momento, enquanto ajeitávamos as coisas no quarto, Thaís olhou para o bebê e disse:

-"Oi filho! Você acredita que você já nasceu?! Porque parece que a mamãe ainda não acredita!" (e o aconchegou mais em seus braços).

O cordão umbilical já tinha parado de pulsar e foi cortado pelo Daniel, que logo pegou o bebê no colo e ficou por perto enquanto aguardávamos a saída da placenta. Isso foi um pouco mais demorado do que costuma ser. Jamile colocou algumas agulhas de acupuntura, colocou o bebê para mamar, fazia massagem no útero, e enrolava o cordão que descia, pelo que se via que a placenta também estava descendo, apesar de lentamente. Thaís se queixou de não ter sido informada que a saída da placenta também causava dor, mas realmente não costuma ser mais que um desconforto. Finalmente ela saiu, foi examinada pela Jamile e descartada. Aí era hora dos pontos... um capítulo à parte. Como a placenta demorou a sair o períneo já estava um pouco inchado, o que dificultou um pouco as coisas. Mas essa parte também passou.

Jamile foi para a cozinha fazer uma sopa. Eu fui com ela, deixando o casal a sós com o bebê, que agora já tinha recebido um nome. O Daniel disse que conversou com ele, lá na sala, enquanto a Thaís estava recebendo os pontos, e os dois juntos decidiram que o nome seria Caio. Thaís aceitou-o, então:

SEJA BEM VINDO, CAIO!

O dia estava amanhecendo, e eu estava na cozinha vendo a Jamile preparar uma sopa. Pensei que nada poderia ser mais adeqüado do que ver uma parteira preparando uma sopa para uma mulher que acabou de ter o seu bebê.

Caio foi pesado, Thaís tomou a sopa, e a faxineira chegou e tomou um baita susto...
(- Como assim? Esse neném aí é o seu?!).

Daniel tirou muitas fotos, e em uma delas eu estou ao fundo observando a primeira mamada do Caio.
Todos tranqüilos e felizes, e assim os deixei. Fui embora, observando como os dias são mais bonitos quando bebês nascem em casa e famílias se formam assim: tranqüilamente!

Thaís e Daniel,

Parabéns pela união e pela força que demostraram ao trazer seu filho para esse mundo de uma forma tão bonita.

Caio,

Parabéns por fazer parte desta família. Que a sua vida seja como o seu nascimento: no tempo certo para você, e sem sofrimentos desnecessários. Com a força e a tranqüilidade que você merece.

Um grande abraço,

Vânia C. Rondon Bezerra.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Adriana e Emanuelle

São Carlos estava sem partos domiciliares havia 30 anos.

E...

Dia 13/06/2007 às 11h30 tive a honra e a felicidade de presenciar este número voltar ao zero!

YES!!!!

Adriana Abujanra teve o tão sonhado e muito batalhado parto domiciliar. Nasceu a Emanuele, linda, 3,860 de pura fofura.

O pai, presenciando tudo e auxiliando, cantou versos assim que viu a cabecinha da sua filha vindo ao mundo: "que neném lindo lindo lindo!"...

Adriana, durante o expulsivo, se limpando das lembranças do seu primeiro parto, quando foi separada da primeira filha: "a Sofia eles tiraram de mim"... e recebendo o apoio do marido: "aqui ninguém vai tirar nossa filha de você".

Eu e Andréia (minha irmã, cuja presença foi fundamental) fazendo sinais e trocando olhares de cumplicidade.

E a frase do dia: "Está tudo bem!" Ana Cris e Márcia comemorando na estrada: UHUUUUUUUUUUUUUU!

Jamile contando para o maridão (médico) - "está tudo bem... já nasceu... é linda!"

E Adriana inteira. Não precisou de nem um pontinho. E não foi separada de sua filha nem por um segundo.

Todas renascemos por aqui! São Carlos está muito mais bonita hoje!

Beijos mil.

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Todas as doulagens começam com o telefone tocando. Então: eu estava em casa, e no meio da manhã o telefone tocou. Era Adriana, dizendo que não havia sinais que ela pudesse identificar como trabalho de parto, mas que ela estava se sentindo muito estranha, e toda hora tinha vontade de ir ao banheiro e não saía nada... tinha ido a uma consulta de pré-natal naquele mesmo dia mas o médico não tinha feito toque. Eu disse que poderia ser um início de trabalho de parto, que valeria a pena verificar, e recomendei que ela ligasse prá Jamile. Ela ligou e a Jamile estava em Ribeirão Preto, e recomendou que ela fosse até o Posto de Saúde. Lá disseram que se ela tinha dúvidas deveria ir prá maternidade... e lá foi ela.

Meu telefone tocou de novo. Era Adriana, se acabando de tanto chorar:

- "Ai Vâ... que M... eu estou na maternidade, estou com 6cm de dilatação e elas querem me internar. Eu expliquei que só precisava ter certeza que era trabalho de parto por que quero ter em casa e vou chamar uma parteira... aí disseram que isso é ilegal, que eu vou tr que assinar um boletim de ocorrência, que vão chamar a polícia... ai Vâ..."

- Dri, vc vai aproveitar que está chorando e vai dizer o seguinte: ...

Em seguida liguei prá Ana Cris, expliquei a situação e ela me tranquilizou. Não poderiam prendê-la na maternidade.

Mais alguns minutos e o telefone tocou de novo. Era a Ana Cris. Ela e a Márcia estavam saindo de São Paulo o mais rápido possível, mas eu deveria me preparar para a eventualidade de... e me passou várias recomendações. Liguei pra Andréia (minha irmã) e perguntei se ela aceitava ajudar.

-"SIIIIIIIIIIIIIM".

Lá fomos nós para a maternidade. Entrei na recepção, estava tudo muito calmo. Saí, liguei prá Adriana, e ela disse assim:

-"Vâ, já estou chegando em casa, a bolsa acabou de romper, e o Oscar tá super bravo comigo... vem prá cá".

Contei prá Andréia e saímos correndo. Ela chegou primeiro pq eu parei duas vezes no caminho prá atender telefone: uma vez era a Ana Cris, dizendo que já estavam na estrada, e pedindo mais informações, e a outra vez era a Márcia, dizendo que se eu precisasse ligar que ligasse para o número dela por que a Ana Cris estava dirigindo.

Cheguei na casa da Adriana. A Andréia estava saindo de lá correndo, dizendo que a Dri estava no chuveiro e que estava reclamando de fome e não tinha nada prá comer, então ela ia buscar. E saiu correndo pela rua, descalça. Passei também pela Dona Cristina (mãe da Dri), indo embora. Ela morava a um quarteirão de distância.

Entrei no banheiro. A Dri olhou prá mim e disse: - "Eu estou com vontade de fazer força".

Tchan! As primeiras frases da Dri sempre são bombásticas. Haaaaaaaaaaahahahah Disse tb que a Jamile estava vindo. A Andréia chegou com as guloseimas, a Dri comeu, e eu fiquei trocando o lençol da cama, ajeitando as coisas, e acalmando o Oscar, que dizia ahcar que era mentira que as parteiras estavam vindo, e perguntava se era assim mesmo, se estava tudo bem... sim estava tudo bem. Foi o dia do tudo bem nunca falei tantos "tudo bem" na vida! Eu e Andréia arrumando as coisas, Dri não queria massgens, falou de novo que queria fazer força... infelizmente tive que tirá-la do banheiro. Expliquei que não sou parteira, e diante da possibilidade da bebê nascer antes de alguém chegar... enfim... ela foi pro quarto e deitou-se de lado na cama.

Foi pra partolandia. Lamentei que não tivessemos nenhuma máquina fotográfica prá registrar aquele olhar lindissimo... e o Oscar começou a tirar fotos com o celular. Fiquei conversando com a Dri, em voz baixa, e ela começou a se limpar das dores do primeiro parto:

- "A Sofy nem me deixaram ver... tiraram ela de mim... só consegui encostar os dedos".

E o Oscar respondeu:

- "Aqui ninguém vai tirar nossa filha de você".

E ela continuou: - "é tão bom estar em casa... aqui tem o meu cheiro... ela foi feita nessa cama... ai que delicia..."

Andréia fez sinal que o períneo estava abaulando. Falei prá Dri que ia trocar de lugar com a Andréia, que era hora de deixar nascer. Ela perguntou se precisava mudr de posição e eu disse que só se ela quisesse. Eu estava segurando uma perna no alto.

- "Não, está bom assim... posso fazer força?"

- Pode.

- "Eu já estava fazendo... rsrsrsr... diminuía a dor fazendo uma forcinha..."

Viram como mulher tem que ser? se você sabe o que fazer não precisa ficar pedindo permissão não, manda bala mulherada!

A cabecinha nasceu. Oscar dizia: - "que lindo, que lindo, que lindo..."

Andréia chorava.

Ficamos esperando, em silêncio, com o respeito que os nascimentos merecem. Ela rodou... e nasceu. Antes de ter saído toda já estava chorando forte. Dri, se ajeitou na cama e disse: "me dá ela." Entreguei embrulhadinha na toalha, tudo estava bem. Fui prá sala. Liguei prá Márcia:

- Oi. Já nasceu.

- "JÁ NASCEU!"

- Tá tudo bem, ela está chorando forte.

Fiquei ouvindo os gritos e comemorações dela e da Ana Cris. Mandaram muitos parabéns. E continuaram vindo.

Fui lá no quarto, dei uma ecadinha na Manú, limpei o narizinho. Voltei prá sala, liguei prá Jamile:

- Oi. Já nasceu.

- "Como assim?! Rsrsrs... Ela não me esperou?! Rsrsrsr Eu já to chegando."

Daí prá frente foi só alegria. A semente da humanização tinha vingado. E desde então cresceu forte, vigorosa, e tem dado mais frutos!

Parabéns Adriana (batalhadora), parabéns Oscar (corajoso), parabéns Sofya pela irmãzinha, e

PARABÉNS MANÚ, PELO LINDO NASCIMENTO E PELA LINDA MÃE QUE VC TEM.

Parabéns a todos os envolvidos.

Beijos,

Vânia.